Produção global de vinhos recupera após quebra registada em 2017

Produção global de vinhos recupera após quebra registada em 2017

Segundo as projeções da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) a colheita de 2018 será a maior, a nível global, desde 2000.

No ano passado, fenómenos meteorológicos, principalmente na Europa, provocaram um decréscimo na produção para 246,7 milhões de hectolitros, o menor valor em 50 anos. Este ano a situação foi completamente revertida. Os três maiores produtores mundiais: Itália (48,5 MhL), França (46,4 MhL) e Espanha (40,9 MhL) registaram aumentos de produção depois das quebras provocadas por geadas e ondas de calor na vindima de 2017.

Na Alemanha, Áustria, Hungria e Roménia também se registaram colheitas acima da média dos últimos 5 anos, e apesar de não estar mencionado no relatório da OIV, houve também um aumento no Reino Unido. A exceção a esta tendência ocorreu em Portugal e na Grécia que registaram uma diminuição da produção relativamente a 2017, principalmente devido a problemas com míldio em Portugal (que afetou muitas zonas do Sul da Europa este ano) e devido a uma tendência geral de diminuição de produção, no caso da Grécia.

Na Europa como um todo, registou-se um aumento de produção de 19% com uma projeção de 168,4 MhL contra 141,1 MhL no ano passado. No resto do mundo, Chile e Argentina registaram aumentos de 36% e 23% em relação ao ano passado (para 12,9 MhL e 14,5 MhL respetivamente), que são bem-vindos para estes países após dois anos de baixa produção. No Brasil, apesar de se ter registado uma menor produção que em 2017, o valor manteve-se relativamente próximo.

Nos EUA, a produção permaneceu estável em 23,9 MhL, enquanto na Nova Zelândia a produção permaneceu em valores elevados para o país (3 MhL) e na Austrália houve uma ligeira diminuição para 12,5 MhL após as duas últimas vindimas (2016 e 2017) em que houve uma grande produção. Na África do Sul, a seca continuada manteve a produção próxima de 10 MhL e no menor valor desde 2012.

Com estas projeções, aponta-se que 2018 seja o quarto maior ano de produção global de vinho desde 2000, depois de 2006 (284 MhL), 2013 (290 MhL) e 2004 (298 MhL).

Consultar artigo original da revista “The Drinks Business”

José Paulo Santos
jpsantos@utad.pt